25 de dezembro de 2012

"O dever cumprido faz a gente não ter remorso"


"O dever cumprido faz a gente não ter remorso", frase dita por D. Canô a Mabel Velloso.


Claudionor Viana Teles Velloso, a grande matriarca da família Velloso, carinhosamente chamada por todos por D. Canô, escreveu sua história contando alegrias, vitalidade, fé a esperança. De uma lucidez tamanha, sempre se posicionou diante de tudo que acontecia na família, na cidade de Santo Amaro e sobre os grandes acontecimentos. Sabedoria essa que a permitia dizer o que pensava – em sua fala mansa e carinhosa – nos alertava sobre o que é importante na vida.

Quando ela passava nas ruas, todo mundo já sabia: Dona Canô está indo fazer o bem. Segundo ela, estava aí a razão de sua longevidade: “Recebo e dou muito amor, tenho prazer de viver e paciência, sei que tudo tem seu tempo”.

Amor, festa e devoção foi sua trajetória. Lição tão bem cantada por Maria Bethânia. D. Canô nos amparou em seus braços, qual Nossa Senhora, que acolhe sem distinção todos que a procuram. Hoje elas estão juntas nos ajudando a refletir sobre o bem-viver.


Bethânia canta a música Curare (Alberto de Castro Simões da Silva) em comemoração aos 105 anos de D. Canô em Santo Amaro da Purificação - Bahia, 2012.

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Um comentário:

  1. No dia de Natal, recebe o Céu, um presente sem igual: A nossa senhorinha, dama gentil, generosa mãe, delicada anfitriã, dona de um inesgotável amor: D. Canô.
    Tive a alegria de estar com ela, poder tocar suas frágeis e firmes mãos, beijá-las com apreço e apreciar seu sorriso tão doce quanto angelical.
    Lembro-me que era festa na cidade de Santo Amaro da Purificação e os trios-elétricos passavam pela sua janela com um volume que fazia estremecer a terra; as pessoas se preocupavam com ela, afinal, era uma senhora com 103 anos de idade, e ela, muito sensata e cordial, no momento em que ouvia os fogos, erguia o indicador e falava mansa e altiva: Viva Santo Antônio!
    Aquela cena me marcou a memória como nenhuma outra. Ali estava um Ser Humano em sua totalidade. Ali estava uma mulher que sabia o que agradecer e festejar. Ali estava uma matriarca capaz de abarcar não somente os seus filhos de ventre, como também, seus paridos de alma.
    D. Canô era simples em sua natureza. Recordo-me que um amigo levou uma lembrança e deu à ela, e com a mesma doçura que agradeceu, teve a firmeza de retrucar: para mim não precisa mais trazer presentes, disso nada levarei. Dizia enquanto apontava para a mobília do singelo quarto. Sabia bem ela, as coisas próprias do espírito e as coisas natas da matéria. Sabia ela que sua bagagem era unicamente as depositadas no seu grandioso coração.
    Doce senhorinha com voz de sabiá… Siga sua luz confiante. Encontre agora com os seus santos de devoção. Sinta o silêncio do sublime e festeje a festa dos anjos. Aproveite bem o colo de Maria, e se possível for, embale no seu o Jesus menino. Passeie pelas estrelas e não se esqueça de nos acenar do firmamento. Agora, liberta do grosseiro peso da matéria, volte a sambar com os atabaques das Yabás. Promova um recital bem especial: enquanto canta com sua voz delicada, peça a Seu Zé que recite poemas enluarados; e não se esqueça de duas convidadas ilustres: D. Edite para bater prato e Nicinha para bem te fazer um penteado.
    Esteja bela e soberana, senhorinha! Como sempre esteve entre nós. Conquiste mais corações aí em cima e lembre-se sempre de nós; pois da sua luz precisamos para desatar os nossos nós. Ajude-nos a bem-viver com festa, amor e devoção. E viva bem aí; que de nós (prometemos), só receberá gratidão.
    Boas festas, senhorinha!
    Até um dia!

    Daniella Paula Oliveira

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