22 de março de 2015

Maria Bethânia - EU TE DESEJO AMOR - HSBC Brasil - 14/03/2015 (HD - By A...



Canção inédita na voz de Maria Bethânia, "Que reste-t-il de nos amours?" recebeu versão de Nelson Motta para a música de Charles Trenet. A música "Eu te desejo amor" está na trilha sonora da novela Babilônia e no repertório do show Abraçar e Agradecer.


Eu te desejo amor
Eu te amei como um filho
Mas o amor também envelhece, embora não devesse
É hora de dizer adeus
Mas antes de partir eu quero desejar a você

Um novo amor no coração
Um céu azul, uma canção e mais que um beijo
Eu te desejo: um novo amor
Que te alegre e faça rir
Que faça teu corpo sentir frio e calor, prazer e dor
Mais do que eu

Meu coração já aceitou que o nosso tempo já passou
Que para nós não há depois e nem talvez

Eu te desejo: amor sem fim
Que desejei só para mim
Adeus amor, bem vindo amor
Vamos seguir?

Meu coração já aceitou que o nosso já passou
E para nós não há depois e nem talvez

Eu te desejo: amor sem fim
Que desejei só para mim
Adeus amor, bem vindo amor

Vamos seguir

11 de janeiro de 2015

Show Abraçar e Agradecer - 50 anos de carreira de Maria Bethânia


Abraçar e agradecer - show que estreou ontem, 10 de janeiro de 2015, na casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro (RJ).

Foto: Alex Palarea/AgNews

Ato 1

1. Eterno em mim (Caetano Veloso, 1996)
*   Texto de autoria de Maria Bethânia
2. Dona do dom (Chico César, 2001)
3. Gita (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1974)
4. A tua presença morena (Caetano Veloso, 1971)
5. Nossos momentos (Caetano Veloso, 1972)
*  Texto de autoria de Clarice Lispector
6. Começaria tudo outra vez (Gonzaguinha, 1976)
7. Voz de mágoa (Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro, 2015)
8. Gostoso demais (Dominguinhos e Nando Cordel, 1986)
9. Bela mocidade (Donato Alves e Francisco Nava, 1997)
10. Alegria (Arnaldo Antunes, 1995)
11. Você não sabe (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1983)
12. Dindi (Antonio Carlos Jobim e Aloysio de Oliveira, 1959)
13. Tatuagem (Chico Buarque e Ruy Guerra, 1973)
14. Meu amor é marinheiro (Alan Oulman sobre versos de Manuel Alegre, 1974)
15. Todos os lugares (Sueli Costa e Tite de Lemos, 1996)
*     Texto Depois de uma tarde..., de Clarice Lispector (1920 - 1977)
16. Rosa dos ventos (Chico Buarque, 1971)
Intervalo
17. Até o fim (Chico Buarque, 1978) /
18. O quereres (Caetano Veloso, 1984) /
19. Qui nem jiló (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, 1950)

Ato 2

20. Viramundo (Gilberto Gil e José Carlos Capinam, 1967)
21. Tudo de novo (Caetano Veloso, 1978)
22. Doce (Roque Ferreira, 2008)
23. Oração de Mãe Menininha (Dorival Caymmi, 1972)
24. Eu e água (Caetano Veloso, 1988)
25. Agradecer e abraçar (Gerônimo e Vevé Calazans, 1999)
26. Vento de lá (Roque Ferreira, 2007) /
27. Imbelezô eu (Roque Ferreira, 2014)
28. Folia de Reis (Roque Ferreira, 2014)
29. Mãe Maria (Custódio Mesquita e David Nasser, 1943)
*     Texto Câmara de ecos, de Waly Salomão (1943 - 2003)
30. Eu, a viola e Deus (Rolando Boldrin, 1979)
*     Texto Candeeiro, de Carmen L. Oliveira
31. Casa de caboclo (Roque Ferreira e Paulo Dafilin, 2014)
32. Alguma voz (Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro, 2014)
*     Maracanandé (canto tupi) - na voz de Márcia Siqueira
33. Xavante (Chico César, 2014)
34. Povos do Brasil (Leandro Fregonesi, 2014)
35. Motriz (Caetano Veloso, 1983)
*     Texto Prece, de Clarice Lispector (1920 - 1977)
36. Viver na fazenda (Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro, 2015)
37. Eu te desejo, amor (Charles Trenet em versão de Nelson Motta, 2015)
*     Texto Sou eu mesmo o trocado, de Fernando Pessoa (1888 - 1935)
38. Non, je ne regrette rien (Charles Dumont e Michael Vaucaire, 1956)
39. Silêncio (Flávia Wenceslau, 2015)
40. Carcará (João do Vale e José Cândido, 1964) - instrumental banda com trecho cantado

Bis 1:

41. Brincar de viver (Jon Lucien e Guilherme Arantes, 1983)

Bis 2:


42. O que é o que é (Gonzaguinha, 1982)

8 de dezembro de 2014

Cleonice Berardinelli e Maria Bethânia em Pessoa



DVD+CD "O Vento Lá Fora"



Documentário “(o vento lá fora)” cria retrato de Fernando Pessoa a partir de leitura de poemas realizada por Cleonice Berardinelli e Maria Bethânia.

"Sou um guardador de rebanho. O rebanho é os meus pensamentos. E os meus pensamentos, são todos, sensações".
Alberto Caiero

“(o vento lá fora)” é um retrato do poeta Fernando Pessoa criado a partir da leitura de seus poemas pela professora Cleonice Berardinelli, 98 anos, imortal da Academia Brasileira de Letras, reconhecida como a maior especialista em Pessoa no Brasil, e pela cantora Maria Bethânia, que ao longo de quase 50 anos de carreira popularizou a obra do poeta em shows e discos.

Apresentada ao público uma única vez, na FLIP 2013, no evento “Lendo Pessoa à Beira-mar”, a leitura deste documentário foi filmada poucos meses depois no estúdio da Biscoito Fino durante dois dias pelo diretor Marcio Debellian. No primeiro, as duas gravaram um CD com a leitura completa. No segundo, realizaram a leitura para uma pequena plateia de convidados.

O roteiro do filme se constitui pela costura dos poemas com conversas sobre a obra do Pessoa, ressaltando aspectos da personalidade de seus heterônimos Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis. O clima de intimidade e o humor na interação entre Cleonice e Bethânia ajudam a pontuar o ritmo e a fluidez do roteiro, que também se apropriou de trechos da carta na qual o próprio Pessoa explica a gênese de seus heterônimos ao poeta português Adolfo Casais Monteiro.

O documentário foi filmado em preto e branco e tem duração de 64 minutos, com trilha musical que traz Nelson Freire (executando Liszt e Schumann), composições de Egberto Gismonti executadas em flauta e violino, e uma pequena participação da própria Maria Bethânia ao piano.

Trata-se de um filme de duas amantes de Pessoa, que entusiasma pelo encantamento com que declamam, conversam e revelam a sua “intimidade” com o autor. O filme foi lançado no Festival do Rio, está em cartaz no circuito no Rio de Janeiro desde 05 de novembro e estreia no Caixa Belas Artes em São Paulo, no dia 04 de dezembro.

“(o vento lá fora)” está sendo lançado agora em CD e DVD pelo selo Quitanda, da Biscoito Fino. O CD traz a íntegra da leitura e os extras do DVD apresentam o registro dos poemas que ficaram de fora do documentário, além de uma entrevista exclusiva com Dona Cléo, onde ela declama dois poemas do livro “Mensagem”, que não constam da leitura gravada no disco.

Sinopse:

O documentário “(o vento lá fora)” apresenta um retrato do poeta Fernando Pessoa a partir de leitura de poemas realizada pela professora Cleonice Berardinelli e pela cantora Maria Bethânia. A leitura, apresentada ao público uma única vez, na FLIP 2013, foi filmada em estúdio com a presença de uma plateia de convidados. O roteiro do filme se constrói a partir do registro dos ensaios para a leitura, de conversas sobre a obra do poeta e pesquisa de manuscritos, cartas e imagens raras.



FAIXAS:

1 - Dois excertos de odes (Ode à noite)
Autoria: Álvaro de Campos (Heterônimo de Fernando Pessoa)
Editora: D.P.
2 - ABDICAÇÃO
Autoria: Fernando Pessoa
Editora: D.P.
3 - Onde pus a esperança...
Autoria: Fernando Pessoa
Editora: D.P.
4 - Leve, breve, suave
Autoria: Fernando Pessoa
Editora: D.P.
5 - Pobre velha música
Autoria: Fernando Pessoa
Editora: D.P.
6 - Sol nulo dos dias vãos
Autoria: Fernando Pessoa
Editora: D.P.
7 - Natal... Na província neva
Autoria: Fernando Pessoa
Editora: D.P.
8 - Furia na noite o vento
Autoria: Fernando Pessoa
Editora: D.P.
9 - O que me dói...
Autoria: Fernando Pessoa
Editora: D.P.
10 - Tudo que faço ou medito
Autoria: Fernando Pessoa
Editora: D.P.
11 - Tenho tanto sentimento
Autoria: Fernando Pessoa
Editora: D.P.
12 - CONSELHO
Autoria: Fernando Pessoa
Editora: D.P.
13 - AUTOPSICOGRAFIA
Autoria: Fernando Pessoa
Editora: D.P.
14 - ISTO
Autoria: Fernando Pessoa
Editora: D.P.
15 - EROS E PSIQUE
Autoria: Fernando Pessoa
Editora: D.P.
16 - O REI
Autoria: Fernando Pessoa
Editora: D.P.
17 - O INFANTE
Autoria: Fernando Pessoa
Editora: D.P.
18 - O MONSTRENGO
Autoria: Fernando Pessoa
Editora: D.P.
19 - PRECE
Autoria: Fernando Pessoa
Editora: D.P.
20 - O GUARDADOR DE REBANHOS: Poema IX
Autoria: Alberto Caeiro (Heterônimo de Fernando Pessoa)
Editora: D.P.
21 - O GUARDADOR DE REBANHOS: Poema X
Autoria: Alberto Caeiro (Heterônimo de Fernando Pessoa)
Editora: D.P.
22 - O PASTOR AMOROSO
Autoria: Alberto Caeiro (Heterônimo de Fernando Pessoa)
Editora: D.P.
23 - O amor é uma companhia
Autoria: Alberto Caeiro (Heterônimo de Fernando Pessoa)
Editora: D.P.
24 - Se depois de eu morrer...
Autoria: Alberto Caeiro (Heterônimo de Fernando Pessoa)
Editora: D.P.
25 - É talvez o último dia da minha vida
Autoria: Alberto Caeiro (Heterônimo de Fernando Pessoa)
Editora: D.P.
26 - Ponho na altiva mente o fixo esforço
Autoria: Ricardo Reis (Heterônimo de Fernando Pessoa)
Editora: D.P.
27 - Já sobre a fronte vã se me acinzenta
Autoria: Ricardo Reis (Heterônimo de Fernando Pessoa)
Editora: D.P.
28 - Mestre, são plácidas
Autoria: Ricardo Reis (Heterônimo de Fernando Pessoa)
Editora: D.P.
29 - Coroai-me de rosas // Quer pouco: terás tudo
Autoria: Ricardo Reis (Heterônimo de Fernando Pessoa) // Ricardo Reis (Heterônimo de Fernando Pessoa)
Editora: D.P. // D.P.
30 - Não só quem nos odeia ou nos inveja
Autoria: Ricardo Reis (Heterônimo de Fernando Pessoa)
Editora: D.P.
31 - BARROW-ON-FURNESS
Autoria: Álvaro de Campos (Heterônimo de Fernando Pessoa)
Editora: D.P.
32 - ANIVERSÁRIO
Autoria: Álvaro de Campos (Heterônimo de Fernando Pessoa)
Editora: D.P.
33 - Esta velha angústia
Autoria: Álvaro de Campos (Heterônimo de Fernando Pessoa)
Editora: D.P.
34 - Depus a máscara e vi-me ao espelho
Autoria: Álvaro de Campos (Heterônimo de Fernando Pessoa)
Editora: D.P.
35 - Na ampla sala de jantar das tias velhas
Autoria: Álvaro de Campos (Heterônimo de Fernando Pessoa)
Editora: D.P.
36 - Todas as cartas de amor são
Autoria: Álvaro de Campos (Heterônimo de Fernando Pessoa)
Editora: D.P.
37 - POEMA EM LINHA RETA
Autoria: Álvaro de Campos (Heterônimo de Fernando Pessoa)
Editora: D.P.
38 - Fiz de mim o que não soube // O que há em mim é sobretudo cansaço // O binômio de Newton
Autoria: Álvaro de Campos (Heterônimo de Fernando Pessoa) // Álvaro de Campos
(Heterônimo de Fernando Pessoa) // Álvaro de Campos (Heterônimo de Fernando Pessoa)

Editora: D.P. // D.P. // D.P.

27 de novembro de 2014

Novas datas show 50 anos no Rio de Janeiro


O show em comemoração dos 50 anos de carreira de Maria Bethânia, ganhou novas datas no Rio de Janeiro:




18 de novembro de 2014

Show 50 anos de carreira de Maria Bethânia



A estreia de Maria Bethânia no show que comemora seus 50 anos de carreira, acontecerá no Rio de Janeiro, na casa de espetáculos Vivo Rio. Nos dias  14 e 15 de março, o show será apresentado em São Paulo no HSBC. Ingressos já estão à venda.

16 de novembro de 2014

Filme Irmã Dulce



“Irmã Dulce” conta a emocionante história da mulher que, indicada ao Nobel, chamada em vida de “Anjo Bom da Bahia” e beatificada pela Igreja, nunca se importou com títulos. A história de uma mulher cujo único objetivo era confortar os necessitados, cuidar dos doentes, amparar os miseráveis – a qualquer custo, com a ajuda de quem fosse. Capaz de atravessar Salvador de madrugada para dar colo a um menino de rua ou de pedir verba a um político em pleno palanque, Irmã Dulce enfrentou inimigos externos – o preconceito, o machismo, os dogmas - e um interno: uma doença respiratória incurável. Passou por eles com obstinação, alegria, amor e fé e construiu uma obra que, até hoje, só cresce, como cresce a devoção por ela. O filme “Irmã Dulce” conta de forma verdadeira e emocionante a história de uma mulher que reúne três das nossas qualidades definidoras como brasileiros: fé, alegria e obstinação. 

Durante o filme e no seu encerramento, o Hino de Santo Antonio - santo de devoção da Irmã Dulce - é tocado sob a interpretação de Maria Bethânia.

O longa-metragem estreou no dia 13/11 nas capitais das regiões Norte e Nordeste e no próximo dia 27/11 se expande para o Centro-Oeste, Sul e Sudeste do Brasil.


Ficha Técnica:
Diretor: Vicente Amorim
Elenco: Agnaldo Lopes, Aicha Marques, Alice Assef, Amaurih Oliveira, Bianca Comparato, Caco Monteiro, Ícaro Vila Nova, Lisandro Oliveira, Maria Salvadora, Patrícia Oliveira, Regina Braga, Zeca de Abreu
Produção: Iafa Britz
Roteiro: Anna Muylaert, L.G. Bayão
Duração: 94 min.
Ano: 2014

10 de novembro de 2014

O vento lá fora...



“O Vento lá Fora” é um retrato do poeta Fernando Pessoa a partir da leitura de poemas criada pela professora Cleonice Berardinelli e Maria Bethânia. A leitura, apresentada ao público uma única vez, na FLIP 2013, foi filmada em estúdio com a presença de uma plateia de convidados. O roteiro do filme se constrói a partir do registro dos ensaios para a leitura, das conversas sobre a obra do poeta e de pesquisa de manuscritos e imagens raras.


 Exibição nos cinemas de Botafogo e Gávea:

Estação NET Gávea 1
Horário: 13h40, 17h, 20h30

Est NET Rio 2
Horário: 17h

Resenha de filme:

Título: (o vento lá fora) (Brasil, 2014)
Direção: Marcio Debellian
Roteiro: Marcio Debellian e Diana Vasconcellos

Elenco: Cleonice Berardinelli e Maria Bethânia

29 de julho de 2014

Edu Lobo, 70 anos


Num show gravado em 29 de agosto de 2013 no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Edu Lobo comemorou 70 anos de idade, registrando esse momento que agora sai em CD pela gravadora Biscoito Fino. Nesse show, dirigido por Hugo Sukman, foram convidados Bena Lobo, Chico Buarque, Maria Bethânia e Monica Salmaso. 


Com Maria Bethânia, Edu canta“Cirandeiro” (Edu Lobo e José Carlos Capinam e “Pra dizer adeus” (Edu Lobo e Torquato Neto. Músicas presentes no LP Edu & Bethânia de 1967. 

Foto: Paula Kossatz

E ainda, ao final do show, a canção "Na carreira (Edu Lobo e Chico Buarque) com Chico Buarque, Mônica Salmaso e Bena Lobo.

Foto: Paula Kossatz

24 de junho de 2014

Ocupação Macalé


Toda a obra de Jards Macalé, em mais de quarenta anos de carreira, é alvo da 18º exposição do projeto Ocupação, criado pelo Itaú Cultural, em São Paulo. O “maldito”, como ele era chamado, terá todo o seu universo particular desvendado em cerca de 300 itens, exibidos no espaço paulistano até o dia 6 de julho.
O acervo reúne fotos, cartas, revistas, objetos pessoais, cartazes de shows, trechos de produções para cinema e músicas, é claro. A trilha sonora da exposição traz clássicos do cancioneiro de Macalé, como “Vapor Barato”, e músicas de artistas que o inspiraram.


“Eu abri as portas do meu coração, abri as portas da minha casa, sem preconceito nenhum, para que ficasse bem aberta a minha vida criativa e pessoal”, contou ele à Rolling Stone Brasil. “Tem muitas fotos, recortes de jornal, projetos de músicas, projetos de discos, de livros, cartas pessoais do meu pai, da minha mãe e de amigos – Lygia Clark, Hélio Oiticica, Caetano e Gil. Estão todas lá pra quem quiser saber.”

Ocupação Jards Macalé
Do dia 31, sábado, a 6 de julho
Itaú Cultural - Av. Paulista, 149 – Bela Vista
Informações: 11 2168-1776
Gratuito


Fonte: http://rollingstone.uol.com.br/noticia/obra-de-jards-macale-e-desvendada-por-exposicao-em-sao-paulo/

Maria Bethânia - Casa de Caboclo

Maria Bethânia - Xavante / Arco da Velha Índia

Maria Bethânia - Alguma Voz

12 de junho de 2014

O canto florestal de Maria Bethânia

"Meus Quintais", novo trabalho da Abelha Rainha, retrata os sons de um Brasil interiorano e íntimo à cantora

11/06/2014 09:05 - Renato Contente, da Folha de Pernambuco
Tomas Rangel/Divulgação
"Pra mim quintal é família, agasalho, sexo", defende a cantora sobre o tom íntimo do CD
 Maria Bethânia é o tipo de artista que nutre uma poética circular, com profundo respeito à própria essência e aos ciclos que a integram. Se sua voz primeiro explodiu num contexto político inflamado, ao dar o grito de alerta para a miséria do Nordeste, no show "Opinião" (1965), a baiana não demorou a se aproximar dos três eixos que definiriam a maior parte da sua arte pelos 50 anos seguintes: o amor romântico, a imersão nas raízes brasileiras e a devoção pela natureza, representando sua religiosidade.
Depois do álbum de estúdio "Oásis de Bethânia" (2012) e do registro ao vivo "Carta de amor" (2013), ambos sugerindo uma Bethânia na defensiva diante de uma frustração pessoal (um amor que desandou? As desavenças coma imprensa?), a filha de Dona Canô traz uma persona mais leve, serena e um pouco saudosista em seu novo disco de inéditas, "Meus quintais", recém-lançado pela gravadora Biscoito Fino.
Ao mesmo tempo em que é um descanso da temática de amores absorventes, a obra marca um retorno da artista às suas origens e as de seu Brasil, aquele mundo que começou a ser construído nos quintais de Santo Amaro da Purificação, na Bahia. Em entrevista coletiva transmitida pela internet, a Abelha-Rainha justificou a escolha ao dizer que o quintal é um marco zero no que diz respeito a tatear a vida: "Foi lá onde aprendi a água, a folha, o vento, o silêncio, a cantar, errar, acertar, namorar. Pra mim quintal é família, agasalho, sexo. Tudo começa ali".
O disco é aberto e se encerra com sons de piano, como se o instrumento descortinasse a floresta íntima de Bethânia para depois resguardá-la novamente. O amor ao canto, esse deus generoso com a família da artista, é louvado na bela canção inicial "Algum canto", de Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro. Assim como em "Alguém cantando", de Caetano Veloso, a música vincula a pureza do canto à natureza: "Quando eu ouço a voz da fonte / Não sei que canto que encerra / Parece o gozo do monte / Dentro do ventre da terra".
Com referências indígenas, "Xavante" é assinada pelo paraibano Chico César, com quem a artista contou para criar o conceito do novo disco. "Tinha um desejo de cantar o homem do Brasil, o caboclo, o dono da terra, o índio. Liguei para convidar Chico e plantei a semente que deu origem a esse trabalho", relatou a intérprete. No disco, César também é autor da festiva "Arco da Velha Índia", feita especialmente para Bethânia.
"Casa de Caboclo" (Paulo Dáfilin e Roque Ferreira) é uma das canções de "Meus quintais" que sugerem uma conexão estreita com "Brasileirinho" (2003), disco que narra um mergulho mais intenso de Bethânia por um Brasil interiorano e brejeiro. A sonoridade do novo trabalho, com percussões e instrumentos regionais, reforça essa semelhança. Na coletiva, entretanto, ela afirmou que a diferença essencial entre os dois está declarada em seus próprios títulos: "O álbum 'Brasileirinho' é o Brasil. 'Meus quintais' se trata de algo pequenino, individual e pessoal. É um disco para os meus, os de minha casa", revelou.
Allan Macintyre/Divulgação
Maria Bethânia registra a canção "Lua Bonita", que Dona Canô contava para os filhos
Bethânia optou por fazer um disco sem exageros orquestrais, com arranjos límpidos e interpretações que radiografam um coração que, se está dolorido, redescobriu a plenitude de viver na força do canto e na natureza. Não parece haver dor, mas uma saudade leve das pessoas e lugares que foram embora. Esse é o caso de "Lua bonita" (Zé do Norte e Zé Martins, 1953), canção que Dona Canô, falecida em 2012, aos 105 anos, costumava cantar para os filhos. A interpretação suave de Bethânia faz lembrar sua fase no disco "Âmbar", de 1996, quando o amor surgia como algo sustentável.
Mais duas contribuições de Roque Ferreira enriquecem o disco: as cantigas de roda "Candeeiro velho" (com Paulo César Pinheiro) e "Imbelezô eu / Vento de lá". Enquanto a primeira dialoga diretamente com a capa do álbum – um singelo candeeiro aceso na mata -, a segunda avisa que o novo disco não exclui o amor de sua poética, mas reconfigura-o. Isto é, não há espaço para amores que sangram, apenas para o sentimento que se mostra puro, ingênuo, capaz de fazer alguém se sentir iluminado: "Tô amarrada no cais do coração / que me tomou e me prendeu / Imbelezô eu, imbelezô eu", canta ela.
"Uma Iara", composta pela gaúcha Adriana Calcanhotto especialmente para o álbum, é uma das canções mais bonitas do disco. A música é narrada por alguém que se encantou perdidamente pela sereia Iara, ser de cabelos negros que se deita sobre vitórias-régias, na Amazônia, para seduzir pescadores com seu canto. Na faixa, a cantora ainda recita um trecho do texto "Uma perigosa Yara", de Clarice Lispector.
    Bethânia reforça esse passeio pelo Brasil que há dentro dela - e que foi tão absorvido na sua infância - no tema de folclore popular "Moda da onça" (adaptado por Inezita Barroso em 1960) e nas inéditas "Povos do Brasil" (Leandro Fregonesi) e "Folia de Reis" (Roque Ferreira). Na versão para iTunes, o disco ainda ganha uma faixa extra, "Dindi", de Tom Jobim, maestro que muito incorporou os mistérios da natureza à sua obra musical. Curiosamente, Dindi não se refere a uma mulher, como se costuma pensar, mas à beleza e à selvageria que há na natureza. Por tabela, também ao canto de Bethânia.
    Divulgação
    Capa do novo disco de Bethânia
    DEDICATÓRIA - Chico César fez "Arco da Velha Índia" para Bethânia, que, por sua vez, dedicou a música à Rita Lee. A cantora quase chamou Rita para gravar com ela "Uma Iara", mas depois mudou de ideia. "Deixa a Rita quieta", disse ter pensado.
    ORIGEM - "O disco é árvore, pé no chão, estou descalça", disse Bethânia, que revelou que tem uma atração forte pela cultura indígena. De acordo com ela, o candomblé de caboclo foi a primeira expressão religiosa africana que viu.
    SERVIÇO:
    CD "Meus quintais", de Maria Bethânia 
    Gravadora: Biscoito Fino
    Preço sugerido: R$ 29,90

    Fonte: http://www.folhape.com.br/cms/opencms/folhape/pt/cultura/noticias/arqs/2014/06/0036.html

    10 de junho de 2014

    Música Iara do CD "Meus Quintais"


    O CD já saiu da pré-venda e encontra-se disponível nas lojas como Livraria Saraiva e Livraria Cultura.

    Abaixo o áudio da belíssima canção de  Adriana Calcanhotto com o texto de Clarice Lispector "Uma perigosa Yara".


    8 de junho de 2014

    Maria Bethânia lança “Meus Quintais”, álbum que esbanja elegância para expressar bucolismo e inocência


    Sons de infância e natureza

    Maria Bethânia lança “Meus Quintais”, álbum que esbanja elegância para expressar bucolismo e inocência

    PUBLICADO EM 07/06/14 - 03h00
    DANIEL BARBOSA

    A começar pelo título, “Meus Quintais”, o novo disco de Maria Bethânia,
    entrega os sentimentos que guiaram a concepção e realização do trabalho. Também o repertório, com canções como “Xavante” e “Arco da Velha Índia”, ambas de Chico César, “Casa de Caboclo” e “Candeeiro Velho”, que levam a assinatura de Roque Ferreira, “Moda da Onça”, de Paulo Vanzolini, ou “Povos do Brasil”, de Leandro Fregonesi, não deixa muitas dúvidas sobre a temática que perpassa o álbum: os índios, a mata, os rios, o folclore.


    “Não pensava em fazer disco por agora, queria fazer somente ano que vem, quando completo 50 anos de carreira. Mas senti o desejo de cantar o homem do Brasil, o caboclo, o dono da terra, o índio. Isso veio de forma muito intuitiva”, diz, acrescentando que a primeira pessoa para quem ligou para ajudar a desenvolver a ideia foi Chico César, que efetivamente foi seu parceiro de primeira hora em “Meus Quintais”. Na esteira vieram Adriana Calcanhotto, que a partir do direcionamento de Bethânia compôs “Uma Iara”, Fregonesi, com sua “Povos do Brasil”, e os outros autores.

    Com as canções reunidas em mãos, Bethânia convocou músicos do quilate de André Mehmari, Maurício Carrilho, Jorge Helder, o trio Tira Poeira, Marcelo Costa, Luciana Rabelo, Wagner Tiso, entre outros, que se revezam ao longo das faixas, tocando e criando os arranjos.

    “Em ‘Meus Quintais’, os músicos são autores, mesmo que não estejam assinando nenhuma canção ou cantando. Eu jogava uma ideia de uma canção, um verso, um pensamento sonoro e eles iam ali criando. É diferente de chamar para cada faixa um arranjador. Eles ficaram brincando em várias situações rítmicas, harmônicas, foi muito alegre, parecia quintal mesmo”, diz.

    Em termos estéticos, o resultado dessa alquimia fica com um pé nos folguedos populares e outro na sala de concerto, o que pode evocar trabalhos pregressos da cantora, como “Pirata” ou “Brasileirinho”. Conceitualmente, entretanto, há diferenças, conforme pontua Bethânia. “O ‘Brasileirinho’ era o Brasil, o ‘Meus Quintais’ é meu, uma coisa pequenininha. Ali era o sentimento do povo brasileiro, aqui é pessoal”, diz.

    E ao dizer isso ela introduz outro mote na equação do álbum: a infância. “O quintal foi onde aprendi tudo, porque tinha a casa, o alimento, o agasalho, o amor, o ensino, mas o quintal era a liberdade. Todo mundo pode tudo no quintal, eu acho que é uma coisa de primeiros passos. A gente gostava das brincadeiras loucas e também dos silêncios, da observação. Quintal é onde aprendi a água, a folha, o vento, aprendi a cantar, a errar, acertar, namorar. Tudo começa ali. Esse disco é para os meus, para os da minha casa, a dedicatória é essa, de um modo geral”, diz, ressalvando que não há nenhum traço de saudosismo nessa ideia. “Carrego a criança em mim, ela é que faz tudo”, destaca.

    Em relação aos projetos futuros, Bethânia diz que pensa em fazer um show ou turnê comemorativa por suas cinco décadas de carreira em 2015, usando “Meus Quintais” como “contraponto” para um repertório que abrangeria toda sua carreira. Outro desejo é gravar um álbum só de piano e voz com André Mehmari, que a acompanha nesse formato em “Alguma Voz”, a faixa que abre “Meus Quintais”. “Seria um disco com o Mehmari fazendo essa coisa de Brasil, que ele conhece tão bem, me ensinando, e eu com a coisa do Recôncavo. Acho que ia ficar uma coisa bonitinha, quem sabe?”, acena.

    Entalhes

    Em “Meus Quintais”, Bethânia revela uma faceta pouco conhecida – a de artesã: o encarte traz fotos de entalhes em madeira que ela faz.


    Fonte: http://www.otempo.com.br