8 de abril de 2012

Maria Bethânia disponível na loja on-line da Apple, o iTunes

Captura de tela do iPhone 2Captura de tela do iPhone 1A gravadora Biscoito Fino lançou em parceria com a Mobilevel Comunicações o aplicativo, disponível nos gadgets da Apple (Iphone, Ipod e Ipad), oficial de Maria Bethânia. No aplicativo, há uma rádio exclusiva com grandes sucessos da cantora, um catálogo de músicas que estão à venda no iTunes, além de fotos e informações sobre sua biografia. O novo disco, "Oásis de Bethânia", está incluído no acervo da rádio e suas músicas podem ser compradas no iTunes por dentro do app. “Se é útil para o trabalho, para a música, é interessante", diz Bethânia.

O app marca um novo passo na parceria entre a Mobilevel e Biscoito Fino, iniciada no final de 2011, com a criação da Rádio Biscoito Fino. Toda a plataforma de software foi desenvolvida pela Mobilevel, com a gravadora fornecendo o conteúdo. “Optamos por começar pela Maria Bethânia pelo fato de ser uma artista consagrada, que está lançando seu disco de número 50. A partir da recepção a esse projeto, conseguiremos levantar melhor as perspectivas de mercado e as possibilidades de ganhos a partir daí”, disse Emerson Frossard, sócio-diretor da Mobilevel.
 
Em termos de modelo de negócio, a Biscoito Fino ganha por meio dos downloads de canções no iTunes: o app da cantora (que é disponibilizado gratuitamente na App Store) tem um link que leva à loja virtual, permitindo-se a compra das músicas em catálogo. “A navegação é toda grátis, assim como a audição das músicas na rádio. Mas sempre que o ouvinte ouvir uma música e quiser comprá-la, poderá clicar em um link que o levará direto ao iTunes”, explica Frossard.

Seções do aplicativo:

- Rádio;
- Vitrine;
- Fotos exclusivas;
- Biografia.

6 de abril de 2012

Poesia











Foto DARYAN DORNELLES

Oásis de Bethânia
Faça de conta que sou sua água.
Beba-me quando em deserto se encontrar.
E em meio à espessura escarpada das areias
Que encontre em mim, a recôndita paz de um oásis.

Imagine que sou sereia.
Lamba meu corpo permeado de escamas
Todas as vezes que de voz precisar.
Assim, serei o seu canto, e todos que de você se aproximar, do meu encanto provará.

De vez em quando, faça-me sua poesia.
Dedilhe em mim os seus dedos embriagados de versos
Os seus lábios sedentos de clamor poético
E os seus sonhos rechaçados por concretos.

Brinque de deus que eu serei o seu divino papiro.
Em mim poderá escrever as belezas que contempla
Os prazeres que te aprisionam
E os bálsamos que te embalam.
 
Faça-me, pois, tua.
E o seu melhor espetáculo
Prometo representar no palco do tempo
Onde, embora muitas vezes caluniada e maldita, também sou a bênção para o seu esplendor.

Daniella Paula Oliveira

1 de abril de 2012

Maria Bethânia: “A carapuça está aí para quem quiser”

A Revista Época (edição nº 724 de 2 abril 2012) trouxe uma entrevista com Maria Bethânia que fala sobre seu novo cd "Oásis de Bethânia" e outros assuntos. Confiram o texto da jornalista Martha Mendonça:

TOM INTIMISTA A cantora Maria Bethânia. “Em meu novo CD, quis recriar uma sensação de deserto, de aridez, de sertão. Por isso, chamei poucos músicos” (Foto: Daryan Dornelles/ÉPOCA)

(Foto: Daryan Dornelles/ÉPOCA)
"Há exatamente um ano, a cantora Maria Bethânia viu seu nome envolvido numa polêmica sobre o uso de recursos públicos em cultura. Um blog que traria a artista declamando poesias em 365 vídeos, dirigido pelo cineasta Andrucha Waddington, recebeu autorização do Ministério da Cultura para captar R$ 1,3 milhão. Os patrocinadores, de acordo com a Lei Rouanet, seriam beneficiados com descontos nos impostos. As críticas repercutiram forte e negativamente nas redes sociais. Na ocasião, Bethânia preferiu se calar – e acabou desistindo do projeto. Agora, ao divulgar o 50º álbum de sua carreira, Oásis de Bethânia, ela fala sobre o assunto. Em um texto incluído numa das faixas do CD, parece dar uma resposta às críticas. Eu não provo do teu fel, eu não piso no teu chão, e pra onde você for, não leva o meu nome, não. Pela primeira vez, ela assina a criação geral de um trabalho, dividido com o baixista Jorge Helder. Aos 65 anos, diz que, apesar de estar o tempo todo escrevendo, não gostaria de se dedicar à literatura, como o amigo Chico Buarque, nem a textos de opinião, como o irmão, Caetano Veloso. Bethânia recebeu ÉPOCA na gravadora Biscoito Fino, numa bela casa no bairro do Humaitá, na Zona Sul do Rio de Janeiro.
ÉPOCA – Em seu novo disco, há uma letra que diz: Não mexe comigo, que eu não ando só/Não ando no breu, não ando na treva/Eu não provo do teu fel, eu não piso no teu chão, e pra onde você for, não leva o meu nome, não. O que isso tem a ver com as críticas ao projeto de seu blog de poesias no ano passado?
Maria Bethânia –
 Você quer saber se é uma resposta? Olhe, tenho 65 anos de idade e 47 de carreira. Desde que estreei, meus trabalhos foram elogiados ou pelo menos respeitados. Nasci em família humilde em que a ética era a chave de nossa educação, de nossa vida. Um dia devem ter pensado: que saco, essa mulher não pisa na bola! E acharam que era uma oportunidade. Esse texto da canção “Carta de amor” escrevi num momento de solidão, na época em que aconteceram esse massacre e essa grosseria. O ano passado foi difícil também pela morte de minha irmã. Então o texto saiu assim. Não sei se é uma resposta, mas, quem quiser vestir a carapuça, está aí.
ÉPOCA – Você sabia das cifras de captação do blog, R$ 1,3 milhão?
Maria Bethânia –
 Recebi um convite e aceitei. Optaram por um blog porque queriam a agilidade e o alcance que o meio permite. Mas, apesar de ser um blog, não era algo simples. Eram 365 vídeos, um para cada dia do ano, num projeto que envolvia teatro, equipamentos, músicos, edição, luz, uma artista, direitos autorais. Botaram no papel e, de alguma forma, chegaram a isso. Não sou eu que vou dizer se é muito ou pouco. Entraria declamando a poesia. Mas certamente, se não fosse meu nome envolvido, ninguém falaria tanto.
ÉPOCA – Você se assustou quando viu a repercussão?
Maria Bethânia –
 Na verdade, não vi, porque não sou ligada em internet, nada disso. As pessoas me contaram. Não estou acostumada a lidar com a estupidez. Meu trabalho é muito delicado para ser, assim, espezinhado. Cantar é muito delicado, a corda vocal é mais fina que um fio de cabelo. Mas a verdade é que hoje nem falo sobre o que aconteceu com seriedade, com um tom de gravidade. O assunto não merece.
ÉPOCA – Você não usa a internet?
Maria Bethânia –
 Não gosto, uso muito pouco. Sou careta, antiga, fora de moda. Tenho um e-mail, só para trabalho mesmo, em que respondo “sim”, “não”, “talvez”. Inclusive a gravadora me sugeriu fazer a divulgação do disco só pela internet, como fizeram Chico Buarque e outros. Eu disse que não. Não sei fazer isso. O que sei é conversar com as pessoas, responder ao que me perguntam ali, cara a cara. E me dá prazer falar de algo de que gosto.
ÉPOCA – Acabou de ser lançado um aplicativo para smartphone com sua obra...
Maria Bethânia – 
Por favor, não me pergunte nada disso. Não sei de nada, não olho. Gosto de ter as coisas. De cheirar a capa dos livros, de manusear os encartes dos discos. Acho horrorosa a coisa virtual.
ÉPOCA – Você está lançando o 50º disco. Qual é a sensação de um trabalho tão longevo?
Maria Bethânia – 
Não fico fazendo contas, não sou nem um pouco ligada nos números. Acho engraçado. Isso também é porque lanço muitos discos ao vivo, dos shows, que adoro. Brinco que sigo cuidando dessa personagem, a cantora. Alimento a cantora, dou banho na cantora, cuido da voz da cantora, da mãe da cantora...
Sou careta, antiga, fora de moda. Uso pouco a internet, não gosto. Tenho um e-mail, só para trabalho mesmo, em que respondo ‘sim’, ‘não’, ‘talvez’ "

ÉPOCA – Você diz que no último ano se sentiu muito sozinha. Por isso também produziu seu próprio disco?
Maria Bethânia –
 Meu impulso foi, desta vez, fazer sozinha, recriar uma situação de deserto, sertão, aridez. Mas também de autoconhecimento, testar meus limites e minha fé. Então não quis muitos músicos, banda, produtor, diretor musical. O Jorge Helder, meu baixista, baixista do Chico, assina comigo porque me deu o amparo de que eu precisava. Ele é um ótimo professor e, por ser baixista, está acostumado a, até musicalmente, acompanhar, mais que estar à frente. Queria voz e um instrumento.
ÉPOCA – O disco é muito eclético, tem Djavan, Paulo César Pinheiro, Dalva de Oliveira.
Maria Bethânia –
 Djavan não escrevia uma canção para mim desde 1978! Pedi a ele que fizesse algo, do jeito que preferisse, e ele me mandou essa coisa linda, que se chama “Vive”. Dalva de Oliveira faz parte do meu repertório pessoal. Uma intérprete maravilhosa, admirável. Tem também “Lágrima”, do repertório de Orlando Silva, a quem tive o prazer de ver cantar, já velhinho. São coisas que canto desde sempre, em casa, que fazem parte do repertório do meu dia a dia, embora nem sempre grave. Paulo César é um grande poeta e um grande amigo. E colocou a música em “Carta de amor”, entremeada com meu texto, de uma forma perfeita.
ÉPOCA – Você diz que está sempre escrevendo. Nunca pensou em se arriscar na literatura, como Chico Buarque e seu irmão Caetano?
Maria Bethânia – 
Não. Por favor, não me dê ideias! Ferreira Gullar diz que a arte existe porque a vida não basta. Chico e Caetano, além da vida e da arte, escrevem além da canção porque não cabem apenas no compositor. Eu não. Estou cabendo muito bem na cantora. Quando éramos jovens, Caetano sempre me dizia que eu nunca parasse de escrever. E nunca parei. Agora mesmo rabisquei várias coisas aqui (mostra um caderninho). Mas o que escrevo não é para muita gente ver. Isso aqui são meus silêncios.
ÉPOCA – Quando não está trabalhando, você some, leva uma vida discreta. Onde descansa?
Maria Bethânia –
 Em casa, em Salvador, em Santo Amaro, vários lugares. Mas adoro o Rio de Janeiro. Assim que a divulgação do disco acabar, vou tomar uma cerveja no restaurante Pérgula, do hotel Copacabana Palace. Acho lindo aquilo lá. Lembra o tempo em que vim as primeiras vezes para o Rio e me apaixonei por aquele bairro. Mas gosto de ser discreta. A vitrine me cansa demais. Tenho horror a exposição. Às vezes, no avião, vejo essas revistas de famosos e estremeço. É todo mundo o tempo todo. É muito. Não sei como não dá cansaço. Em quem vê e em quem aparece.
ÉPOCA – Com 65 anos, você chegou à terceira idade. Como se cuida?
Maria Bethânia –
 Eu e meus irmãos demos sorte. Os Viana Velosos têm esse corpinho seco, esguio, saudável. Como de tudo um pouco, sem exageros. Gosto de comida caseira, não muito sofisticada. No mais, tenho outra sorte: não gosto de doce.
ÉPOCA – Sua mãe, Dona Canô, está com 104 anos. Você pensa em chegar lá?
Maria Bethânia –
 Não chego, não. Minha mãe teve outra vida, em outro lugar. Teve uma trajetória linda, casou-se com um homem lindo, foram apaixonados, tiveram oito filhos amados. Nem tenho o desejo de chegar tão longe. E minha mãe tem outra coisa: ela adora viver. Já eu... Minha mãe sempre repete para mim: ‘Você vive essa vida de cantora, quieta, triste’. É essa a ideia que ela tem. Minha mãe tem um temperamento de muita conversa, de casa cheia. Talvez vivesse mais se fosse como Caetano, mais suave. Mas não sou. Se falo baixo e devagar, tem alguma coisa errada. Sou de Iansã. Eu grito."
  


11 de março de 2012

Oásis de Bethânia


Novo CD com previsão de lançamento para o final do mês de março pela Biscoito Fino.


Maria Bethânia apresenta em seu novo trabalho, compositores que ao longo de sua carreira, nos brindaram com belíssimas canções em que retratam a emoção na dor, na solidão e no amor. Dalva de Oliveira, tão prestigiada em seu repertório, se faz presente desta vez com "Calúnia" (Marino Pinto e Paulo Soledad). Bethânia assina o texto que precede "Carta de Amor" (Paulo César Pinheiro).

“Oásis de Bethânia” vem com formato inédito em sua carreira: cada uma das 10 músicas do CD recebeu um arranjo inédito de convidados especialíssimos – de seu compositor ou de outro músico, que ainda participa tocando em cada uma destas criações. Djavan assina também o arranjo na inédita “Vive”, de sua autoria, além de participar com seu inigualável violão.

Outros músicos deste quilate como Lenine, Hamilton de Holanda, Jorge Helder, Jaime Alem, Maurício Carrilho, Marcelo Costa e André Mehmari também trazem a sofisticação de seus arranjos, que se misturam à voz única de Bethânia, trazendo o tempero ideal para a sonoridade marcante deste novo disco.

1. Lágrima
2. O Velho Francisco (Chico Buarque) Participação de Lenine
3. Vive (Djavan)Participação de Djavan
4. Casablanca (Roque Ferreira)
5. Calmaria (Jota Velloso) / Não Sei Quantas Almas Tenho (Fernando Pessoa)
6. Fado (Roque Ferreira)
7. Barulho (Roque Ferreira)
8. Lágrima (Sebastião Nunes, José Garcia e José Gomes Filho)/
 Calúnia (Marino Pinto e Paulo Soledad)
9. Carta de Amor (Paulo César Pinheiro)
10. Salmo (Raphael Rabello e Paulo César Pinheiro)

4 de março de 2012

Bethânia e as Palavras em Brasília: Dia Internacional da Mulher

                                                       Foto: Carlos Albuquerque

Maria Bethânia se apresenta em Brasília no dia 8 de março (quinta) em comemoração ao Dia Internacional da Mulher através de uma parceria entre a Secretaria de Políticas para as Mulheres, a Secretaria de Cultura e a Secretaria de Turismo.

Bethânia apresenta o espetáculo “Bethânia e as Palavras” que traz leituras de poemas e textos escolhidos pela artista mesclados com música. Os textos fundem autores clássicos e modernos, como Guimarães Rosa, Manuel Bandeira, Cecília Meireles, Ramos Rosa, entre outros, com trechos de músicas como ABC do Sertão (Luiz Gonzaga), Romaria (Renato Teixeira), Último Pau de Arara (J. Guimarães / Venâncio/Corumbá), Estranha Forma de Vida (Amália Rodrigues), Marinheiro Só (domínio público / adaptação Caetano Veloso), Dança da Solidão (Paulinho da Viola) e Menino de Braçanã (Luis Vieira / Arnaldo Passos), entre outras.

A apresentação acontece no Centro de Convenções Ulysses Guimarães às 21 horas e tem entrada franca mediante retirada dos ingressos no dia 8, a partir das 9 horas, na bilheteria do Teatro Nacional, foyer da Sala Villa-Lobos. Serão disponibilizados 1630 ingressos.

Serviço: Maria Bethânia - ”Bethânia e as Palavras” – Dia Internacional da Mulher
Data: 8 de março de 2012 (quinta) às 21 horas
Local: Auditório Master do Centro de Convenções Ulysses Guimarães (Eixo Monumental)
Entrada franca mediante retirada dos ingressos no dia 8, a partir das 9 horas, na bilheteria do Teatro Nacional, foyer da Sala Villa- Lobos.

20 de janeiro de 2012

Maria Bethânia é a personificação das mulheres de Chico

Por Geisa Agricio do NE10 em  20/01/2012


                                                                      Foto: Carlos Albuquerque

"Não apenas aquela geração que acompanhou o lançamento de Chico Buarque & Maria Bethânia ao Vivo (1975) é capaz de vislumbrar que dessa parceria surgiu um dos mais fortes e benfazejos encontros da música popular brasileiro. O público que conseguiu garantir o disputado ingresso para o espetáculo do Circuito Banco do Brasil, na noite da última quinta-feira (19), no Teatro Guararapes pode não só devanear no clichê que se tornou regra irrevogável mas constatar com os próprios olhos e ouvidos – e, por que não, coração? – que Bethânia é a na atualidade a personificação da intérprete perfeita da obra de Chico Buarque em sua vasta complexidade.


Superados os comparativos capciosos com as saudosas Elis Regina e Nara Leão, divas incontestes das composições de Chico, Bethânia é, em vida, a voz da poesia de Chico Buarque em seu tom mais bruto, puro e imo. A noite, ainda mais mítica, pela curiosidade de ser a data em que coincidiu o aniversário de 30 anos de morte de Elis Regina e os 70 anos de nascimento de Nara Leão, era na poderosa voz de Maria Bethânia uma confluência das “mulheres de chico”, não apenas suas cantoras, mas todas elas, Rita, Terezinha, e toda alma feminina comum escancarada nas crônicas cotidianas de Chico.
Bethânia sem dúvida fez jus a todas elas, entoando com aquele sotaque em tempo certo de carga dramática assertiva (nem mais nem menos) clássicos como Cala a Boca Bárbara, Tira as Mãos de Mim, Gota d'Água, Terezinha, Sem Açúcar, Olhos nos Olhos e Tatuagem, que hipnotizavam a plateia emocionada entre gritos e silêncios embargados com lágrimas.

Mas também estavam lá todos os Chicos, o político de Apesar de Você e Cálice, o romântico de Valsinha e Todo Sentimento, o sambista de Rita, o malandro de Quem te viu, quem te vê, o carnavalesco de A Noite dos Mascarados e Não Existe Pecado ao Sul do Equador. Sua presença é tão forte que o momento simbólico em que aparece no telão na gravação do dueto histórico de Sem Fantasia, é como se estivesse mesmo ali, olhando para Bethânia.

E tal janela do tempo serve também para a metáfora da própria mudança, da transformação, do caminhar natural. Bethânia está mais velha, mais segura, mais comedida, talvez. Os arranjos são rebuscados e harmônicos, a cenografia refinada, a produção executiva (bem no termo). Mas no corpo, na voz, na palavra, ela transpõe o tempo que passou e põe pra fora a eterna menina de Chico."

19 de janeiro de 2012

O encanto de Luiz Jasmin


Por Antonio Campos (Jornal do Brasil, 17/01/2012)



O encanto refletido pela inteligência e beleza, única e esplendorosa, das mulheres. Capazes de mudarem o rumo de uma história e, como diria Arthur Schopenhauer: A mulher é um efeito deslumbrante da natureza. A grandeza de Luiz Jasmin, plural nos seus talentos, em traduzir a singularidade das mulheres que, de alguma maneira, passaram pela sua vida. Entre elas, Danuza Leão, Yolanda da Costa e Silva, Maria Bethânia e Tânia Alves. A cada mulher, uma nova experiência, um novo sentimento.

     Os relatos de Jasmin nos remetem a um profundo mergulho no encanto exalado por mulheres do mundo inteiro. Mulheres, essas, possuidoras de uma força sentimental invejável, e que vão muito além dos estereótipos comumente relacionados a este gênero. Algumas delas alcançaram a fama, estiveram nos holofotes da mídia. Outras, mais discretas, fizeram parte de uma plateia que assistia ao crescimento de tantas mulheres que bem representaram a independência e autonomia do sexo feminino. Mas todas elas são, sobretudo, marcantes, guerreiras, exemplos de vida e perseverança.

     Tive a honra de ser convidado a prefaciar essa obra que relembra, além de um seleto universo feminino que fez parte da vida desse artista, lugares e pessoas memoráveis. Cada um com infinitas particularidades e boas lembranças, que, agora, Luiz Jasmin nos dá o prazer de conhecer e desfrutar desse universo encantado vivido por ele. Além disso, a obra conta com registros fotográficos que, certamente, engrandecem o valor dessa obra com imagens que são verdadeiras relíquias. São fotos curiosas, inéditas, poéticas, charmosas, oriundas de um álbum de família ou, quem sabe, de um álbum de viagem, podendo, ainda, terem sido, em algum período, retratos esquecidos dentro de uma gaveta. Mas, hoje, chegam como um convite para reviver a época retratada, para conhecer a mulher registrada, imagens que ilustram o encanto perpassado pelas belíssimas histórias.

     Uma das passagens que, seguramente, chamará a atenção e marcará a todos que tiverem a oportunidade de ler esta obra literária é a experiência de Jasmin vivida em Nova Iorque. Lá, ele conheceu, e encantou, o renomado artista plástico Salvador Dalí, que se tornou, rapidamente, e após um singular episódio em um bar, grande amigo do autor desse livro. Outro destaque é a rica descrição do episódio em que o escritor teve o seu primeiro contato com o talento musical da magnífica Maysa. Uma bela e peculiar história, de encher os olhos e a imaginação de qualquer um. O encanto, à primeira vista, de Jasmin por Carmen Miranda também deu origem a uma passagem belamente relatada.

     
     A obra, que também traz vivências cotidianas, físicas, sentimentais de Luiz Jasmin com Tânia Carrero, Zuleica Raposo e Clara Nunes, tem, ainda, a linda e emocionante história da sua encantada amizade com a cantora Maria Bethânia e as belíssimas capas dos discos dela ilustradas por este grande artista. De fato, um encanto de prosa, do começo ao fim. Ele retrata, de maneira inexplicável e, ao mesmo tempo, louvável, a alma e a grandeza da mulher, que independe do seu país natal, da sua idade, da sua profissão, do título de sexo frágil. Elas agem com o coração. Possuem a força e a coragem de uma mãe, a lealdade de um amor, e o companheirismo de uma amiga.

     Esta homenagem que Luiz Jasmin presta é bela e serve para todas as mulheres que nos acompanham durante as nossas vidas. São histórias às vezes cômicas, às vezes melancólicas, mas felizes. Dotadas de um aprendizado imensurável. Além disso, demonstram, com carinho e de um jeito envolvente, a percepção de Jasmin diante da presença feminina na sua vida. A isso, estão agregados valores, conceitos e sentimentos do escritor, uma verdadeira caixa de memórias e emoções que ele, meticulosamente, nos apresenta, nos proporcionando, também, momentos de descontração e reflexão.

     Dentre outros aspectos, a presença dessas mulheres na vida de Jasmin, visivelmente, lhe ofereceram um grande crescimento pessoal e profissional. Seu trabalho realizado para o Jornal do Brasil, onde fez belíssimas ilustrações, por exemplo, esteve cercado de importantes mulheres, como Léia Maria Aarão Reis, cuja coluna ele teve a honra de ilustrar e, posteriormente, tornou-se amigo da colunista. Na religiosidade, a Mãe Menininha, a quem pintou um quadro de Oxum, presenteado a ela através das mãos do escritor Jorge Amado.

     Jasmin também fez trabalhos que chegaram à alta realeza. Fez um lindo retrato da Princesa Margareth e, a convite do jornal Estado de São Paulo, fez um desenho da Rainha Elizabeth II, além de retratar, também, a Principessa Luciana Pignatelli, que deu origem à engraçada história da “Princesa perdida num táxi”. E não pararia por aí. O artista desbravou o mundo com o seu talento. Tantos rostos retratados e capas ilustradas que, hoje, formam um arsenal artístico inestimável para Luiz Jasmin.

     É com tremenda emoção que fiz, portanto, o prefácio dessa obra, que será brevemente lançada. Um convite que recebi com muita gratidão e felicidade é como escrever uma carta orgulhosa e comemorativa para este grande artista que é Luiz Jasmin.

     Eis um livro, raro e grandioso no conteúdo, que contém mulheres amigas, amantes, irmãs. Pessoas que marcaram a vida de Jasmin. Esta é uma daquelas obras cujo valor é inestimável, possuidora de memórias, sentimentos, beleza, cheiro, encanto e, principalmente, mulheres donas de tudo isso, e que, certamente, fizeram esses momentos e essa obra, de Luiz Jasmin, se concretizarem, e que, agora, chegam aos nossos olhos e à nossa imaginação.


15 de dezembro de 2011

Venda de ingressos Circuito Cultural Banco do Brasil Teatro Guararapes - Olinda-PE


"Começa no próximo dia 27 a venda de ingressos para o Circuito Cultural Banco do Brasil, no Recife. Na série de shows, Maria Bethânia interpretará Chico Buarque, Sandy reverenciará Michael Jackson e Lulu Santos cantará canções de Roberto Carlos e Erasmo Carlos. As apresentações estão marcadas para os dias 18, 19 e 20 de janeiro, respectivamente, no Teatro Guararapes, no Centro de Convenções, no Complexo de Salgadinho.

O Circuito já passou por Curitiba, São Paulo e Ribeirão Preto. Antes de encerrar a temporada, na capital pernambucana, o projeto acontecerá em Goiânia, nos dias 16, 17 e 18 de dezembro. Os shows são apresentados sempre em três dias seguidos e contam com os mesmos equipamentos cenográficos e de iluminação, utilizados de maneira diferente a cada noite.

Maria Bethânia canta Chico Buarque
Não é de hoje o encontro desses dois ícones da Música Popular Brasileira. Ao longo da carreira, Maria Bethânia já interpretou mais de 50 canções de Chico Buarque. Além de "Olhos nos olhos" e "Rosa dos ventos", o roteiro do show traz novidades, como "Vai trabalhar, vagabundo", "Valsinha" e o samba-enredo "Chico Buarque da Mangueira".

Maria Bethânia faz show inédito no Recife com músicas de Chico Buarque (Foto: Divulgação)

Serviço
Circuito Cultural Banco do Brasil
18/01, às 21h – Sandy canta Michael Jackson
19/01, às 21h – Maria Bethânia canta Chico Buarque
20/01, às 21h – Lulu Santos canta Roberto e Erasmo
Ingressos: pré-venda para clientes Ourocard entre os dias 19 e 27 de dezembro (com 50% de desconto); venda aberta para o público começa no dia 27 de dezembro (clientes Ourocard permanecem com os 50% de desconto)
Preço: plateia: R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia-entrada); balcão: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada). Bilhetes à venda na loja Esposende do Shopping Tacaruna e Shopping Recife.
Informações: 4003-1212 ou pelo site www.ingressorapido.com.br

Maria Bethânia canta Chico Buarque


Interpretação da música "Cálice" (Gilberto Gil  e Chico Buarque) em São Paulo - Projeto Circuito Cultural Banco do Brasil em "Maria Bethânia canta Chico Buarque" (dezembro/2011)


12 de novembro de 2011

Maria Bethânia canta Chico Buarque



O Projeto Circuito Cultural do Banco do Brasil, levará para as cidades de Curitiba, São Paulo, Ribeirão Preto, Goiânia e Recife, shows de Maria Bethânia, Lulu Santos e Sandy. 
Será a primeira vez que Maria Bethânia dedicará um show inteiramente à obra de Chico Buarque.

Idealizados e dirigidos por Monique Gardenberg, em co-curadoria com Toni Platão, os três espetáculos inéditos acontecerão a partir de novembro, marcando a volta do Circuito Cultural, projeto itinerante do Banco do Brasil criado em 1999.

Desde o início da carreira, Bethânia empresta sua voz à poesia de Chico Buarque, eternizando com sua interpretação suas canções "Com Açúcar, com Afeto"  (1970), "Minha História (Gesubambino - versão) (1971), "Rosa dos Ventos" (1971, 1997 e 2002), "Baioque", "Soneto", "Atrás da Porta", "Tatuagem", "Ela Desatinou" (1973), "Roda Viva", "Cala Boca, Bárbara", "Tira as Mãos de Mim" (1974), "Olhos nos Olhos" (1976 e 1999), "Terezinha", "O Que Será - À Flor da Pele" (1977), "João e Maria", "Maninha" (1978, 1999 e 2003), "O Meu Amor", "De Todas as Maneiras" (1978 e 2002), "Cálice" (1978), "Amando Sobre os Jornais" (1979), "Vida" (1982, 1999 e 2010), "Anos Dourados" (1986 e 2002), "Sonho Impossível" (versão) (1984 e 1997), "A Mais Bonita" (1989), "Apesar de Você" (1990 e 2002),

"Bárbara", "Mar e Lua", "Todo o Sentimento" (1995), "Pássara" (1997), "Beatriz (instrumental), "Uma Canção Desnaturada" (1997), "Assentamento", "Roda Viva", "Na Carreira" (1999), "Até Pensei" (1999),"Sobre Todas as Coisas" (1999 e 2002), "A Moça do Sonho" (2001 e 2002), "Sob Medida" (2002 e 2007), "Gente Humilde" (2005 e 2008). 

Além dessas gravações, há o musical (filme) "Quando o Carnaval Chegar" (1972) e o LP "Chico Buarque & Maria Bethânia ao Vivo" (1975). 


Esta primeira série de shows – sempre apresentados em dias consecutivos – começa em Curitiba (Teatro Guaíra, de 18 a 20 de novembro) e depois segue para São Paulo (Via Funchal, de 21 a 23 de novembro), Ribeirão Preto (Teatro Pedro II, de 6 a 8 de dezembro), Goiânia (Teatro Rio Vermelho, de 16 a 18 de dezembro) e Recife (Teatro Guararapes, de 18 a 20 de janeiro). A ideia é, a cada ano, ter grandes artistas da música brasileira abordando o repertório de um grande compositor.


11 de novembro de 2011

Amor Festa Devoção em Miami


The Fillmore Miami Beach at Jackie Gleason Theater
Maria Bethânia é reverenciada no Brasil e no resto do mundo. Na sexta-feira (11), em única apresentação, ela irá se apresentar no The Filmore Miami Beach Theatre, em South Beach. Todos os ingressos já estão esgotados.
 
Bethânia não se apresentava em Miami há 22 anos. Ela exibirá o espetáculo Amor Festa Devoção.


5 de novembro de 2011

Arquivo N com Maria Bethânia


O Arquivo N de quarta-feira, dia 9 de novembro, apresentará os novos projetos de Maria Bethânia, dentre eles a turnê do show em que interpreta músicas de Chico Buarque, do relançamento do livro "Maria Bethânia Guerreira Guerrilha", de Reynaldo Jardim e outros assuntos de interesse de todos nós.



Abraços,
Fã-Clube Grito de Alerta